28 de fevereiro de 2006

Fim da Cultura em Ondas Curtas!!

Eis aqui a cartinha que enviei por e-mail à Rádio Cultura, em virtude do anunciado fim das transmissões em ondas curtas:
Senhor Presidente,
Através de uma lista de discussão na internet, tive ciência de que a rádio Cultura da Fundação Padre Anchieta de SãoPaulo encerrará as transmissões em 6.170kHz, usualmente com a mesma programação da Cultura FM de São Paulo. Desde a década de 80, sou ouvinte assíduo da programação elaborada e de alta qualidade da Rádio Cultura. Sem alcance para o FM, as ondas curtas sempre foram o melhor caminho (para mim o único meio) para usufruir das maravilhas musicais da Rádio Cultura.

É lastimável que decisões políticas desse calibre sejam tomadas sem uma consulta mais ampla entre os principais interessados: contribuintes e cidadãos. Afastando o povo do contato com a música erudita, ou tirando uma das principais vias de acesso a esse meio musical, tem-se retrocesso que dificilmente será suplantado, especialmente no interior do Estado e no país, onde ainda milhões de pessoas dependem das ondas curtas para ter acesso a cultura.

Espero que essa decisão seja repensada e revista, e mais, que os transmissores em ondas curtas sejam renovados e melhorados, levando a Rádio Cultura ainda mais longe. Plagiando um colega, não quero me restringir "em ouvir éguinha pocotó, abaixa rebolando, encaixa encaixa e outras excepcionais produções artístico-culturais tão em moda neste país maravilhoso, de povo altaneiro, educado e de governo competente."

Por favor, dêem espaço a Villa-Lobos, Carlos Gomes e Guarnieri...

Vitor Luis Aidar dos Santos
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21 de fevereiro de 2006

Cabernet Sauvignon Húngaro...


Quem acompanha este blog pensa logo que somos alcoólatras inveterados, mas não é nada disso. Não se esqueçam dos efeitos benéficos do vinho para a saúde. Se puderem, consumam um cálice de tinto todas as noites antes de deitar. Ontem, ao invés de seguirmos para a Academia, como habitualmente fazemos, ficamos em casa e comemos uma saladinha de endívias, acompanhada com torradinhas cobertas com queijo gorgonzola, mussarela apimentada e mostarda de Dijon. Para acompanhar a refeição, abrimos uma garrafa de vinho tinto húngaro, que ganhamos de presente de um radioamador amigo (Tamas HA5PT). Já tínhamos provado o vinho em companhia de nosso colega em Budapest, dois anos atrás e ele, cônscio de nosso apreço, achou por bem nos presentear com uma garrafa quando nos encontramos novamente na Hamvention (convenção radioamadorística realizada em Friedrichshafen, Alemanha, todos os anos no final de junho). A casa é Chateau Teleki Villany, tradicional para os húngaros, e a uva cabernet sauvignon, safra 2003. Apresentou-se com cor vermelha translúcida, pendendo para o claro, sem bordas ou oleosidade aparente. No nariz, mostrou-se reforçado pela presença do álcool, denotando um vinho carente ainda de algum amadurecimento. Tons de cereja e presença de madeira se confundiam com os taninos ainda duros, novamente pedindo mais tempo na garrafa antes do consumo. Em primeiro ataque à boca, demonstra ser vibrante e potente, talvez por conta do teor alcoólico ligeiramente reforçado, lembrando alguns bons cabernets californianos. Tem permanência duradoura ao palato e conclui-se logo ser bom vinho que mereceria, também, ser aberto com antecedência mínima de uma hora, ou despejado em decanter, para respirar e adquirir mais vida. Agradável, forte e bem estruturado. Consumimos meia garrafa apenas, enquanto acompanhamos o maravilhoso show do grupo irlandês U2, transmitido ao vivo diretamente de São Paulo pela Multishow (SKY). O show, diga-se de passagem, foi surpreendente e manteve-nos ligados até uma hora da manhã sem qualquer dificuldade, com músicas intimamente ligadas aos nossos 15/30 anos de idade. Valeu a pena e encerramos a noite com chocolate e um pequeno cálice de Sauternes (o mais conhecido vinho francês de sobremesa). O U2 merecia isso!!

5 de fevereiro de 2006

Confraria dos Vinhos


Nos últimos anos, após nossas primeiras viagens, começamos a apreciar os bons vinhos. Já há algum tempo, a cerveja ia deixando a preferência doméstica. É claro que existem algumas exceções no mundo da cevada, como a maravilhosa Guinness irlandesa, escura, stout, deliciosa. Mas ainda assim, o mundo dos vinhos é que nos chamava a atenção. Existe toda uma crença sobre os vinhos e os rituais que cercam as degustações, mas a bem da verdade, trata-se de mera reprodução de um sem número de outros rituais ligados ao convívio social diário. Talvez, por conta dos custos envolvidos em vinhos mais elaborados e/ou renomados, haja conexão imediata com o esnobismo ou vontade de aparecer. Não creio que essa visão seja acertada, já que é perfeitamente possível, nos dias de hoje, desfrutar de ótimos vinhos com preços simplesmente inacreditáveis. Assim é que, nas últimas postagens deste blog, temos comentado sobre alguns vinhos de nosso agrado e que, verdadeiramente, não custam os olhos da cara...

Na noite de 04 de fevereiro de 2006, recebemos dois casais amigos em nossa casa para degustação de alguns vinhos. Quando se permite uma boa combinação vinho/refeição, a confraternização se desenvolve ainda em melhores termos. Pode haver algo melhor do que um Barbera d’Alba ao lado de um bom prato de carne com trufas brancas? Há, desde os primórdios, algo mágico na mesa, com pão e vinho.

Nos últimos meses, Ana e eu pensamos em convidar estes dois senhores e suas respectivas consortes para uma agradável recepção ao som das boas taças de vinho e pratos sugestivos. Embora com muito calor, a noite de 04.2.2006 foi perfeita. Aliás, por conta das sugestões dos convivas, chegamos a conclusão de que vale a pena investir num bom aparelho de ar-condicionado para a sala, além de, afinal, adquirir a pequena adega climatizada (que está a caminho – Dometic, 80/100 garrafas). Nossa casa não é a mais bela da rua, e nossos gastos não são exorbitantes. Não guardamos dinheiro em casa e os eletrodomésticos e móveis são rústicos a tal ponto que, se recebermos visita dos “amigos do alheio”, certamente ficarão decepcionados. Mas, aos poucos, e com economia, é possível conseguir conforto e paz de espírito em qualquer lugar, especialmente se partirmos do princípio que “caixão não tem gaveta”, como dizia o Juiz do Trabalho Décio Rodovalho.

Nosso convescote reuniu seis pessoas, aí incluídos os anfitriões, durando toda a noite e entrando pela madrugada. Dois pratos básicos foram preparados: o salmão no azeite e sal, e a carne al’albese, temperada com sal e pimenta e polvilhada com trufas brancas. Ana preparou também, arroz branco com água de coco e arroz com açafrão (outra especiaria estonteante). Havia salada de endívias e outros ingredientes para os vegetarianos e, claro, os vinhos mais adiante descritos. Para a sobremessa, sorvetes Hagen Daaz de Chocolate Belga e Torta de Queijo com Morangos. Grande parte das informações foi recolhida de literatura especializada (Wine Spectator, Gambero Rosso, A Bíblia do Vinho, e sites na Internet) e o prazer que cada um de nós sentiu ao experimentar cada vinho deve ser pormenorizado individualmente. Apreciar um bom vinho é algo extremamente pessoal e o que é bom para uma pessoa não o é obrigatoriamente para outra.

É importante, todavia, agitar o único fato negativo de todo o evento – o número exagerado de garrafas que foram abertas, prejudicando levemente (já que todos estávamos preparados para uma grande noite) a apreciação lenta de cada vinho escolhido, especialmente aqueles mais próximos da ponta final. É certo que o entusiasmo e a emoção, unidas ao ótimo cardápio, conduziram-nos a isso, mas certamente é algo que não se repetirá com vinhos de tamanha grandeza em reunião de mesma natureza.

“Wine Spectator” é uma revista americana especializada em vinhos. Usualmente avaliam os vinhos com classificação máxima de 100 pontos. Trazem sempre informações interessantes sobre os produtores, as novidades, a relação custo/benefício. Infelizmente, a assinatura é razoavelmente cara. Alguns exemplares podem ser conseguidos nas principais lojas de revistas em Ribeirão Preto.

“Gambero Rosso” é a principal publicação italiana sobre vinhos, e traz avaliações e comentários exclusivos apenas sobre as casas daquele país. É publicado anualmente, sendo ótimo compêndio para gosta de vinhos italianos.

“Bíblia do Vinho” é praticamente uma enciclopédia em volume único, disponível na Ediouro, falando um pouco de tudo sobre o mundo dos vinhos, incluindo o Brasil. Pode ser comprada pela Internet em qualquer uma das grandes livrarias conhecidas.

1) Vinho do Porto Branco Adriano Ramos Pinto, engarrafado em 1999.
Tinha eu certeza de que era um Branco Seco raro de achar no Brasil. E justamente um dos colegas que se iniciava nos caminhos da degustação nesta noite arriscou: “- é doce...”. E era mesmo! Mas veio bem, resfriado na temperatura aproximada de oito graus (estamos no Brasil, não é?), acompanhado com alguns queijos moles, especialmente Camembert e Brie brasileiros (Polenghi Selection). Do site da empresa Adriano Ramos Pinto, algumas informações adicionais: “Quando se fala de Porto, vinho tinto é a expressão que surge. As uvas brancas eram mais usadas para aligeirar o vinho tinto do que propriamente para produzir vinho branco. Hoje, com estudos e selecção das melhores castas (Viozinho para dar corpo, sensualidade e aroma, Rabigato para frescura e acidez, e Arinto para o gosto mineral, elegância e finesse), fazemos este vinho que, com as suas cores citrinas e douradas, nos revela gostos e aromas a frutos maduros, por vezes secos, com deliciosas interferências de outros aromas mais jovens e alegres. É um vinho com cerca de 100 gramas de açúcar por litro. Bebe-se fresco, como entrada de refeição, aperitivo ou acompanhando foie-gras”.

2) Feudi di San Gregorio Aglianico Irpinia Rosato 2004.
Este é um vinho italiano rosé (Região da Campania) que nos encantou, à Ana e eu, numa degustação que fizemos na World Wine Ribeirão Preto, no segundo semestre de 2005. A casa Feudi di San Gregorio tem alguns brancos maravilhosos, e este Rosato com 100% da uva Aglianico foi uma das melhores surpresas em 2005. Tem um frescor agradabilíssimo e é quase impossível sentir a impostação do álcool. Refrescante, se dá bem com quase qualquer entrada, ou mesmo pratos principais mais arrojados. Frutas secas foram bom acompanhamento. Surpreenda-se com a cor e o charme da garrafa translúcida em vidro jateado.

3) Kalyra Chardonnay 2003.
Californiano, foi adquirido em recente viagem pelo distrito de Santa Bárbara, Califórnia – USA. É uma das vinícolas visitadas pela dupla Jack (Tomas Haden Church) e Miles (Paul Giamatti) no filme “Sideways – entre umas e outras” que, obviamente, inspirou o nosso roteiro turístico de virada de ano (2005/2006). 100% uva chardonnay, forte, marcante, com presença, aos cuidados de um “winemaker” australiano, produzido na área de Santa Ynez Valley e fermentado diretamente em barris de aço inoxidável. É de consumo imediato e serviu mais como curiosidade para a noite que ainda estava no começo. Alguém se lembra que horas eram?

4) Champagne Veuve Clicquot Rosé Reserve 1985.
Momento de raro prazer e pura transcendência que defluiu da degustação de uma champagne “millésime” com mais de vinte anos, de cor viva refletindo tons laranjas. O nariz complexo com dominância de pequenas frutas vermelhas, e as notas típicas da Pinot Noir. Na boca, bem estruturado e com uma persistência admirável. Com esta magnífica garrafa demos início ao jantar propriamente dito, com o salmão embebido em azeite Gallo do Mestre (0,3% de acidez) – tinha que ser português – e arroz ao açafrão. A novidade é conhecer algo mais sobre champagne e perceber que, afinal, é possível o envelhecimento desse gênero de vinho tão clássico. Esta garrafa foi adquirida no ano passado, em viagem de férias, diretamente na famosa casa francesa sediada em Reims.

5) Marchesi di Barolo Ruvei Barbera d'Alba 2001.
Tinto italiano do Piemonte e muitíssimo bem cotado na “Wine Spectator”, com 90 pontos em 100 possíveis. Um grande vinho com uma ótima relação custo-benefício. Absolutamente delicioso, com corpo entre médio e cheio. Paladar maduro de ameixas e um caráter mineral. Explosão de aromas mostrando bom balanço e final reforçando ameixas. Tem nariz de fundo com tom de uvas passas. Será sempre um top Barbera. Ótima relação custo-benefício e pronto para consumo; não deve ser envelhecido. 7.000 caixas foram produzidas. Com ele iniciamos a Carne al’Albese, com trufas brancas e o arroz branco com água de coco.

6) DonnaFugata Angheli 1999.
Tinto siciliano de personalidade e elegante, corte de Merlot e Nero d'Avola em iguais proporções, dos vinhedos das colinas de “Contessa Entellina” (dali sai também o top siciliano – “Mille e Uma Notte”). Vinho moderno e globalizado, de terroir com boa exposição ao sol e cativante suavidade. O solo é bem estruturado, tendo em sua composição um pouco de argila, e o clima de cultivo é tipicamente mediterrâneo. Passa de oito a doze meses em pequenas barricas de carvalho e, ao menos, seis meses na própria garrafa. Tem graduação alcoólica de 13% e temperatura de serviço de 18º Celsius. Armazenado adequadamente, tende a melhorar. Ao serviço, mostrou-se insinuante, com corpo médio, e boa ligação para os grandes tintos da noite. Talvez, o corte proposto pela casa siciliana tenha resultado num bom vinho para qualquer ocasião. O site da empresa sugere temperatura de serviço em 18º Celsius.

7) Travaglini Gatinara "Tre Vigne" 1997.
Tinto da região do Piemonte, na Itália, produzido com variedade da uva nebbiolo, acompanhamento perfeito para o prato de carne com trufas brancas levemente polvilhadas. Um sofisticado garnet vinho tinto com um delicado nariz de violetas, cherries e toques de pimenta indiana. Este vinho é profundo e aveludado na textura com aromas intensos de frutas vermelhas, especiarias indianas, cogumelos e características terrosas. Cheio e concentrado, com taninos macios e facilmente assimilados, este vinho tem final longo e suave. Em algumas provas é avaliado na casa de 90 pontos. Melhor se consumido após 2004. Foram produzidas 2300 caixas deste vinho considerado moderno. Este é um dos vinhos prediletos pelos americanos, sendo muito consumido naquele país.

8) Chateau Pichon-Longueville Comtesse de Lalande 1997.
AOC, Bordeaux, França. Eis aqui o que habitualmente os enólogos e produtores chamam de second vin. Em Pichon-Longueville são decididamente dois vinhos bem distintos. A alta proporção de uvas Merlot no "Comtesse" o transforma no vinho mais palatável a curto prazo. Este regra geral é particularmente aplicável ao “Comtesse” 1997. De aparência brilhante, com tons dourados do sol daquele ano, o nariz é logo dominado por frutas vermelhas com notas tostadas de café e chocolate. Baixa acidez, com taninos macios e agradáveis que contribuem para tornar este vinho pronto para beber. Este Bordeaux que consumimos foi avaliado por alguns portugueses em 2002 e vejam só:
Rui Falcão, Novembro 2002. Este Grand Cru Classé de Bordéus apresenta um nariz maravilhosamente complexo, com especiarias de madeira (sobretudo cedro), ligeiro mentol, algum couro, notas minerais, bem como alguma groselha e amora. Estranhamente surgem também algumas subtis notas a alho neste aroma finamente rendilhado.
Na boca o vinho surpreende pela qualidade do fruto e pelo aveludado do paladar, um conjunto notável onde coabitam admiravelmente taninos finos e sedosos, potência bem "domesticada", tudo num conjunto que aparenta leveza e graça. Um vinho extraordinariamente feminino!
O ataque de boca revela uma patine, um veludo que se desenvolve e insinua na boca perdurando num final de boca como não pensava poder existir. O final evoca caramelo, chocolate fino e revela uma persistência a todos os títulos notável!É um daqueles vinhos que facilmente pode passar ao lado se não se estiver com atenção, sobretudo se confrontado com "monstros" de fruta e álcool! Consegue aliar finura, elegância, complexidade e potência num só vinho. Agora percebo a fama dos Grand Crus de Bordéus!19 pontos em 20 possíveis.
Pedro Gomes, Novembro 2002. Bastaria a finura aromática para nos rendermos a este "super-second". Estão lá a fruta, a apara de lápis, uma ligeira borracha e, todo o conjunto começa a dar sinais de vir a evoluir para descritores de torrefacção. Um nariz envolto num manto de equilíbrio e finura extremas. Muito estruturado na boca, redondo, com uma textura admirável e, quer queiramos quer não, um hino à harmonia e à elegância: tudo numa linha do tipo "se te distrais... nem dás por mim". Um autêntico veludo, com um final... minha Nossa Senhora. Um excelente exemplo de como os "grandes" de Bordéus continuam a comandar as tropas. Se é assim com uma colheita menor, o que será num ano "clássico"? 18,5 pontos em 20 possíveis.

9) Krohn Colheita 1966 Vinho do Porto.
Um dos melhores vinhos do mundo para acompanhamento de sobremesas ou como aperitivo. Os Colheita são Portos produzidos com vindimas de um único ano com alta qualidade, envelhecidos em madeira por, ao menos, sete anos. Em nosso caso, veio para adega como presente de aniversário de 40 anos e foi engarrafado no ano de 2000. Enquanto no barril os Colheita são submetidos, a cada três anos, à aprovação permanente do Instituto do Vinho do Porto. Ao engarrafar, as etiquetas devem mostrar o respectivo ano de engarrafamento. O risco de encontrar sedimentos na garrafa é muito pequeno, por conta do longo tempo de amadurecimento em casco. Após abrir a garrafa, não é necessário consumir todo o vinho imediatamente – pare quando quiser e deixe-o armazenado novamente, pelo tempo que desejar. Da próxima vez que abrir a garrafa, os mesmos aromas e sabores estarão ainda lá. As variedades de uvas que integram o vinho: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinta Roriz. Experimente após as refeições, acompanhando nozes, tortas ou bolos de amêndoas, chestnuts ou frutas vermelhas; crème brulé e queijos – especialmente os cremosos como Brie, Camembert, Brillat-Savarin da França, ou Bel Paese e Mascarpone italianos. Os sorvetes foram servidos com bolo brownie de chocolate.

E assim, deu-se o encerramento de uma noite agradabilíssima. Nossa gratidão aos partícipes e espero que se divirtam com as fotos (das garrafas, é claro).

22 de janeiro de 2006

Outros vinhos...

Em 23 de dezembro de 2005, pouco antes de iniciarmos nossa viagem pela região produtora dos vinhos californianos, tivemos o prazer de dividir uma mesa de vinho e queijos com nossos vizinhos. Após uma seleção eclética, mas elaborada, desfrutamos dos vinhos cujas observações seguem adiante:
Aurora Espumante Brut (750ml) - Brasil.
Elaborado exclusivamente com uvas Chardonnay, pelo método Charmat longo (ou seja, um período prolongado de contato com as leveduras), com passagem por carvalho francês. Revela excelente estrutura e complexidade. Apresenta coloração amarelo palha dourado. Na boca, acidez pronunciada harmonizada com toques de frutas e tostados. Ideal para acompanhar aperitivos e diversos pratos à base de peixes e frutos do mar, massas e risotos, queijos, assados e grelhados de carnes brancas. Uvas: Chardonnay. Origem: Serra Gaúcha – cooperados da Aurora - Processo: Charmat longo – fermentação em carvalho francês.
Montepulciano D´Abruzzo - O Melhor Rosé Italiano.
A despeito de produzir sérios tintos de peso, Montepulciano também produz o que pode ser considerado (como o Salice Salentino Rosato) o melhor rosé italiano. Obtido com fermentação de curta duração e contato com a pele da uva limitado, este estilo leva o nome de "Montepulciano d'Abruzzo Cerasuolo.".
Vinho Australiano Coonawarra Cabernet Sauvignon Angoves.
Produtor: Angoves - Safra: 2001. Origem: Coonawarra - Uva: Cabernet Sauvignon. Tipo: Tinto - Graduação Alcoólica: 13%. Cor: Vermelho intenso - Aroma: Muito cheio, com toques de frutas negras e vermelhas. Nuances de baunilha. Sabor: Ameixas, cerejas pretas, groselha, chocolate e cassis. Notas de Degustação: Maturação de 12 a 14 meses em barricas americanas. Acompanha: Carnes, caças, queijos fortes. Temperatura de Serviço: 18°C.
Chateau Pape Clement, Graves.
Tinto - 1998: De bom corpo, cheio, complexo e com plenitude de taninos macios, este impressionante esforço de Pape Clement oferece uma porção de "berries" selvagens deliciousas, cerejas pretas e aroma/sabor de chocolate. Bom para consumo imediato, pode ser mantido na adega até 2008-2010. Score 90. (Tasted 23.12.2005).

21.1.2006 - 40 Anos!



Pois então foi assim, ainda ontem deixei para trás a casa dos "inte/inta", fechando quarenta anos, com um jantar patrocinado pela digníssima consorte, Aninha. Estivemosno "La Pyramid" em Ribeirão Preto, que recentemente ganhou o prêmio de melhor restaurante duas estrelas do Brasil. Comemoramos o aniversário literalmente jantando um vinho - Mille e Una Notte de DonnaFugata, um dos mais célebres "rossos" sicilianos, com "tre bichieri" no Gambero Rosso. O restaurante, é claro, fica em Ribeirão Preto, e lá chegamos por volta de 20h30min, desfrutando de dois pratos maravilhosos e fechando com uma sobremesa portentosa... A estrela da noite, no entanto, foi o vinho, magnífico. E a companheira, é claro...

22 de dezembro de 2005

Vicente e Ana


Nesta noite, tivemos o prazer de receber em nossa casa, as molas-propulsoras do Circolo Italiano de Jaboticabal: Vicente e Ana. Sem eles, dificilmente o Circolo Italiano de nossa cidade teria o alcance e repercussão que tem na atualidade. Sua vivacidade e força de vontade são inalcançáveis, e gostaríamos nós de termos a mesma disponibilidade. São exemplos a serem seguidos, seres humanos dignos com uma história de vida impar. De se destacar que, de todas as palavras italianas que conheço, 100% delas foram aprendidas com as lições de Ana, geralmente nas sextas-feiras pela manhã, quando eu tinha condições. É uma pena - em virtude da falta de colegas de trabalho e total falta de bom senso do Estado Brasileiro, em meu trabalho cada pessoa tem que valer por duas, e aí a coisa sobra sempre para a gerência imediata... Enfim, coisas da vida...
Estes dois professores da língua italiana, amigos, e defensores da cultura geral, aceitaram nosso convite e vieram a nossa casa. Ana, esposa de Vitor (ai, meu Deus, duas Anas... Quem é que aguenta?) passou o dia todo envolvida com os comes. Eu, Vitor, procurei cercar-me de certos cuidados com os vinhos. O salmão foi o prato principal, acompanhado de salsa de camarões. Batatas assadas, saladas e arroz branco serviram de anteparo. Havia ainda outro arroz, amarelo, por conta do tempero a base de curcuma, que é o açafrão com sotaque brasileiro.
Vamos aos vinhos: começamos inicialmente com champagne Veuve-Clicquot, gelada. Maravilhosa, como de hábito, serviu de aperitivo, acompanhada com frutas secas - macadâmia e amêndoas salgadas. Depois, já à mesa, abrimos um vinho branco siciliano da casa DonnaFugata (somos fã deste produtor) com corte de uvas Ansonica e Cattaratto, etiquetado como Anthìlia 2004, em lindo rótulo, como pode se ver em algum lugar desta postagem. Este vinho é jovial, com aroma pouco definido, mas de frescor interessante e com uma cor que deixa a todos em dúvida. De acordo com a casa produtora, pode ser consumido com peixes levemente defumados, crustáceos, anchovas ou pratos de entrada (primi piatti), inclusive assados. Ficamos tão surpresos que pretendemos adquirir outras garrafas. Nosso fornecedor é a WorldWine, do grupo La Pastina, com a loja estabelecidade em Ribeirão Preto.
Já com a mesa posta, e ouvindo os CD de Nico Fidenco e Lucio Dalla, fizemos um intervalo, ingressando nos tintos. Consumimos uma taça de um tinto nacional honestíssimo, da Vinícola Aurora: Cabernet Sauvignon Reserva 2000 (não se esqueçam que o Reserva 1999 é um dos melhores tintos nacionais). Seco, com taninos reforçados e notas de cacau e frutas vermelhas maduras, envelhecido em barricas de carvalho francês e americano, com ótima estrutura, pode ser encontrado em alguns bons supermercados brasileiros por preços ao redor de R$ 28,00 a R$ 32,00.
Depois dos bons pratos da caríssima metade, ou melhor dizendo, no curso deles, abrimos algumas garrafas das águas das águas... É isso mesmo, a água!! Acqua Panna de Pellegrino, escolhida pela revista especializada Wine Spectator como a melhor água para acompanhar os bons vinhos. Com os copos cheios, chegava a hora especial: um Bordeaux francês conseguido a preço de ocasião também na WorldWine: Chateau Lynch Bages Grand Cru Classé Pauillac 1995. Veja alguns trechos da internet sobre o vinho: (...) Château Lynch-Bages, um dos extraordinários vinhos Grand Cru Classé do Médoc. (...) "A Arte da assemblage do Château Lynch-Bages", que permitirá ao aluno repetir a mistura das quatro variedades de uvas usadas na composição do vinho. (...) 70% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot, 10% Cabernet Franc, 5% Malbec and Petit Verdot. (...) Ch. Lynch-Bages - 1995 - Apr-05 - 20 - Rich and seamless when first tasted in Sept-00. (22/25) Then blind for Wine International's horizontal in Apr-05. An attractive cherry-scented nose: quite open and expressive. Touch of anis developing with aeration. The palate is tannic and quite plump with a lot of toasty new oak. A modern style of Bordeaux with a sweet, almost liquorice kind of finish. Fine. (19/25) = 19-21 - very fine/excellent; 21-22 - exceptionally fine; 23-24 - brilliant/truly a memorable experience; 25 - utter perfection. Realmente, uma experiência incrível. Enquanto aproveitávamos dessa jóia rara, colocamos um DVD com a ópera magnífica de Mascagni - Cavalleria Rusticana, com Placido Domingo no papel principal e direção do memorável Franco Zefirelli.
Passamos logo para a sobremesa, com sorvete de chocolate com raspas de chocolate, "brownie" e doce de morango. O vinho de sobremesa, como não poderia deixar de ser, era um Adriano Ramos Pinto, Quinta da Ervamoira, 10 anos, engarrafado em 2000. Com doçura delicada e um retrogosto maravilhoso, fechou com chave de ouro a noitada, enquanto se aproximava o final da ópera. Sobre o Quinta da Ervamoira, encontrei o seguinte: "(...) Esta Quinta, propriedade de 200 ha com altitude entre 100 e 300 metros, situada em área xistosa plana no Douro Superior junto à foz do rio Coa, foi campo para as experimentações do plantio isolado das 5 castas principais do Douro. Seu clima quente e seco produz uvas de profunda maturação e pede ajuda da irrigação. A inclinação média de 30% permitiu o sistema de plantação "vinha ao alto", que tornou possível a mecanização e o aumento de produtividade nas terras durienses. Mas a principal razão pela escolha foi a sua grande qualidade. Produzido com cerca de 30% Touriga Nacional, 30% Tinta Roriz, 25% Tinta Barroca e 15% Touriga Francesa, o vinho foi fermentado por 4 a 5 dias, interrompendo-se o processo pela adição de aguardente vínica a 77o; o envelhecimento se dá em carvalho e a lotação dos vinhos de diferentes idades – 10 anos é a média de idade – se faz no período anterior ao engarrafamento (2001 neste caso).Sua cor é castanha aloirada ("tawny"), deixando longas lágrimas no copo. De aroma muito intenso, apresentando frutas muito doces (cristalizadas), caramelo e nozes. Untuoso, é muito elegante e longo na boca. Deve acompanhar bem folhados doces com creme. Mas o melhor é tomá-lo como companheiro de meditação, sem pressa, deixando as idéias e os aromas se abrirem e se libertarem de seu corpo.Já que o leitor está motivado em experimentar este belo tawny e ler o livro do Dr. Sérgio, não deixe de se deliciar com outro capítulo da mesma obra, "O Vinho Humanizado", inspirado na visita ao Brasil de José Ramos Pinto Rosas, antigo presidente da empresa e tio de João Nicolau. Avaliação - 92 pontos/100."
Ficamos felizes por receber nossos amigos e desfrutar bons vinhos com e es. O espírito gregário do vinho, mais uma vez, veio a tona. Deus nos conceda forças e condições para continuar usufruindo da vida com essas benesses todas. Amanhã tem mais, pois quase todos os colegas da 1a. Vara do Trabalho estarão participando de um churrasco oferecido pelo advogado Francisco Cassiano Teixeira em sua fazenda a caminho de Monte Alto. Vamos lá...

18 de dezembro de 2005

PY2EX and YL Ticiana

Tivemos o prazer em receber, aqui em nossa casa, PY2EX Éger. Já havia tempos que não nos víamos... Éger ainda mora em São Paulo, mas arranjou uma namorada em Ribeirão Preto e veio para a região de moto no sábado 17.12.2005.
Após contatos telefônicos, agendamos a vinda dele até Jaboticabal, o que se deu neste domingo. Embora tenham sofrido um pouco com as chuvas, chegaram por volta de 16h00min, não havendo outro remédio senão usufruirmos juntos de um almojantar!!
Aninha fez aquela macarronada esperta e tomamos um vinho do Porto Branco Seco de aperitivo com um bom queijo Brie francês. Depois, porque a temperatura nos obrigou, passamos para as cervejas Stella Artois (do grupo Ambev). Quanto a pasta ficou pronta, passamos ao vinho tinto siciliano. Ticiana teve oportunidade de provar o Sedàra, 100% Nero d'Avola, e depois, todos juntos, aproveitamos de uma garrafa de Angheli, um corte de Merlot e Nero d'Avola. Ambos os vinhos são produzidos pela Casa DonnaFugata, da Sicília e têm ótima relação custo/benefício. Longe de ser um Robert Parker na vida, já com alguns anos provando bons vinhos, é possível recomendar prontamente os vinhos mencionados. Adquirimos na WorldWine, do Grupo La Pastina. Esperamos que nossos amigos tenham aproveitado o passeio, e que possam retornar mais vezes.

10 de dezembro de 2005

A turma da Vara no Tullio 2005!


Pois assim foi...

Encerramos nosso expediente excepcionalmente às 18h00min, com uma forcinha do Juiz João Baptista Cilli Filho, fechamos a Secretaria, passamos o desodorante vencido e nos enfiamos todos dentro da Van Sprinter Mercedes pilotada pelo Adilson.

Chovia. Seguimos pela estrada em direção a Ribeirão Preto, todos nós, com exceção apenas da Silvana, que não pode se desvencilhar de alguns compromissos familiares. Até o novato Rodrigo estava lá... O dia desta nossa aventura foi 07 de dezembro de 2005, véspera do feriado comemorativo do Dia da Justiça. Somente agora me veio à mente que 07 de dezembro também é uma data especial dentro da 2a. Guerra Mundial, com o ataque dos japoneses à base americana de Pearl Harbor, em 1941.

Mas como dizia, seguimos pela rodovia sob chuvisco perene, passamos por Barrinha, os pedágios foram pagos, e por volta de 19h15min estávamos desembarcando na porta da Cucina de Tullio Santini, ótimo restaurante italiano na cidade de Ribeirão Preto. Já havíamos combinado com Júnior, que é o escanção do estabelecimento, e fomos maravilhosamente bem recebidos. A saleta foi reservada para nossa troupe. Participamos todos de uma degustação de vinhos e pratos, começando com o tira-gosto de vários queijos, pão italiano, e salmão defumado fatiado.
A primeira garrafa aberta foi de champagne, uma legítima Moet Chandon francesa. A seguir, experimentamos um Chardonnay branco chileno, que combinou muito bem com o salmão. Chegou a hora do primeiro prato, uma massa mezzaluna recheada com carne, e preparada com manteiga de trufas brancas e o grande detalhe - uma pequena porção de trufas negras em cada prato!!
O vinho escolhido para harmonizar com o prato inicial foi um Nero D´Avola Terre Normande, de corpo médio e com bom nariz, produzido na Sicília. Depois, Júnior apresentou uma bruschetta para enaltecer um determinado vinho e dar o intervalo entre os dois pratos principais.
Era chegada a hora do grande vinho da noite: Brunello de Montalcino 1998, de Corte Pavone, bem rankeado, encorpado e macio ao mesmo tempo. Foi servido e logo a seguir, terminadas as bruschettas, passamos ao segundo prato, stinco de vitello. Carne macia, no osso, acompanhada de massa leve e queijo ralado, foi bem servido com o terceiro vinho tinto da noite, qual seja: Errazuriz chileno Cabernet Sauvignon de boa cepa. Tivemos o sogro da Cláudia Vasquez como músico, usando seu acordeon e contando algumas piadas.
Pois bem, depois de tanta coisa, era chegada a hora da sobremesa. O Marsala é outro vinho típico da Sicília, produzido na cidade de mesmo nome, que tive oportunidade de visitar dois anos atrás... Apenas o Gilberto destoou, pedindo um Porto Tawny Adriano Ramos Pinto...
Ah, a sobremesa!! Petit Gateau!! E os vinhos doces, como mencionados, caíram como uma luca. O pior foi ver a Brígida preocupada em ir embora. Mas o Pedrão chegou e não quis entrar, e também não aceitou a sobremesa que mandamos a ele, no Honda Civic da família...
Foi desse jeito que tudo acabou. Eram 23h45min, a conta havia sido paga, estavamos satisfeitos, voltamos para a Van. Choviscava, mas foi bom, melhor para dormir enquanto o carro balançava no retorno a Jaboticabal.
É isso aí, tomara Deus que possamos repetir a dose em dezembro de 2006!!
Feliz Ano Novo!!

20 de novembro de 2005

Dezembro 2001.

Embarque em São Paulo, Aeroporto Guarulhos, no dia 26/12/2001 a noite.

ROMA – Período de 27/12/2001 a 29/12/2001
HOTEL ACADEMIA
Piazza Academia San Luca
(Pertinho da Fontana de Trevi)
Não precisa dizer muita coisa sobre Roma, porque
tudo o que precisava já foi dito por tanta gente.
A sugestão é fazer praticamente tudo a pé.

VENEZA – Período de 30/12/2001 a 01/01/2002
Ficamos em uma pequena cidade próximo
a Veneza, no apartamento de um parente.
Região do Veneto, próximo a MonteBelluno
e Bassano di Grappa. Chegamos em Veneza depois
de uma viagem de trem de noite inteira.

FLORENÇA – Período de 01/01/2002 a 03/01/2002
GRAN HOTEL BAGLIONI
Piazza Unita Italiana, 6
Edifício antigo reformado e adequado para
receber turistas. Florença maravilhosa, do
rio Arno e a Ponte Vecchia.

MILÃO – Período de 03/01/2002 a 04/01/2002
Ficamos na casa de nossa prima Moema, que
mora num bairro de Milão chamado Baggio.

9 de novembro de 2005

Frases bacanas...


As frases que estão neste artigo de jornal são magníficas. Não tive como copiá-las uma a uma, então procurei escanear em formato fotográfico e apresentá-las dessa forma. Espero que fique bom...